sexta-feira, dezembro 07, 2007

A educação que o Brasil precisa

O nosso país apresenta uma péssima educação, segundo avaliações de orgãos internacionais. Esses resultados são impulsionados pela falta de recursos econômicos, qualificação de professores e de infra-estrutura. No entanto, o principal causador dessa realidade é o desperdício de recursos provocado por políticas megalomaníacas criadas em salas de sociologia. Elas são:
-Priorização da “grande universidade pública”, cara, ineficiente e para ricos, em detrimento de investimentos no ensino fundamental. Isso significa a construção do telhado antes do alicerce da casa;
-Falta de cobrança por resultados dos alunos(fim da repetência) e dos professores;
-Uma grade curricular que está a várias décadas ultrapassada, sem aplicação prática e com um tamanho irreal;
-Ao invés de se priorizar um ensino voltado para o mercado de trabalho, se tenta priorizar uma educação conscientizadora marxista de caráter ideológico e produtivo duvidoso;
-Essa visão marxista ultrapassada do mundo dos pensadores da educação faz com que exista pouco incentivo à participação da iniciativa privada e de sua produtividade no processo educacional.
A reforma educacional proposta pelo Ministro Haddad pode produzir avanços como o piso nacional dos professores e as avaliações nacionais de alunos. Essas avaliações poderão fazer um “raio x” da educação e premiar municípios bem avaliados. No entanto, ficaram muitas sombras na reforma como a falta de uma mudança séria na grade curricular e o investimento em setores que não estão funcionando como as universidades públicas. O governo pretende dobrar o número de vagas nessas universidades.
A seguir vou falar das minhas propostas para mudar a educação do Brasil. Elas estão divididas em três tópicos: ensino fundamental e médio, ensino superior e alfabetização funcional de adultos.

1. Ensino fundamental e médio

O ensino fundamental é muito afetado pelos desvios de recursos das prefeituras(algumas não dividem as sobras do Fundef com os professores) e pela falta de priorização de recursos. Os especialistas apontam uma enorme desproporção entre os gastos com o ensino superior e os com o ensino fundamental. No Brasil, o volume de recursos destinado à formação de um estudante universitário é dezessete vezes maior do que o que se gasta com uma criança nas primeiras séries do ensino fundamental. Na Coréia, a relação é de dois para um. Países como a Coréia do Sul e a Irlanda fizeram revoluções econômicas investindo na base. Nas nossas escolas os alunos passam de ano porque os professores são forçados pelos orgãos de educação a não repetir o aluno. Além disso há os problemas dos professores mal treinados e da falta de infra-estrutura tecnológica nas escolas. Precisa-se focar os investimentos no ensino fundamental e médio nos principais problemas. Os recursos devem ser aplicados nos seguintes pontos: Qualificação de professores, Pagamento de adicional de produtividade aos professores(de acordo com resultados dos alunos em exames nacionais anuais), investimento em infra-estrutura e ensino de números, leitura e escrita.

1.1.1 Qualificação de Professores

Os professores devem ser qualificados por instituições privadas de ensino(estilo especialização “in company”) financiadas por recursos públicos. A prioridade deve ser o ensino de modernas metodologias de ensino, com a priorização de uma grade curricular mais enxuta e prática e a utilização da tecnologia na sala de aula. Os recursos tecnológicos seriam data show, disponibilização de textos, imagens e vídeos na internet para os alunos, computador e ferramentas educacionais nesse ambiente como a lousa digital por exemplo. A empresa P3D(http://www.p3d.com.br/) conseguiu grandes avanços nessa área e poderia se parceira do governo. Outro ponto seria a concessão de bolsas de estudo em instituições privadas para graduação de professores sem ensino superior.

1.1.2 Prêmios para os professores de acordo com resultados em exames obtidos em exames nacionais anuais

A proposta seria o governo fazer exames nacionais em todas as séries do ensino fundamental e médio em todas as instituições públicas e de acordo com o resultado dos alunos os professores receberiam prêmios anuais. Um exemplo: o professor receberia 500 reais a cada 10% de alunos seus que conseguisse os índices exigidos pelo MEC. Dessa forma o governo incentivaria a meritocracia e faria um raio x da educação completo a cada ano.

1.1.3 Investimento em infra-estrutura

Inicialmente se faz necessário o investimento básico em reformas de escolas e de salas de aula, num país com infra-estrutura tão defasada como o Brasil. Outro ponto é o já citado investimento em recursos tecnológicos em parceria com instituições como a P3D. Vou dar um exemplo de como seria uma hipotética aula com o uso da tecnologia:
O professor chega em sala de aula e distribui o roteiro completo da aula em algumas folhas de papel;
O roteiro já está no CD que o professor traz para sala de aula, colocando no datashow da sala, não de perdendo minutos copiando a aula na lousa;
Com recursos 3D da empresa 3PD ele pode usar a lousa digital para através de uma forma interativa e divertida ensinar assuntos como relevo ou Sistema Solar por exemplo;
Numa aula de História o professor passa usando o datashowtrechos importantes de um filme;
Quando chega em casa o aluno pode acessar na internet, ou mesmo no CD distribuído pelo professor, resumos, filmes e documentários sobre o assunto da aula;
“Ipodização” de todas as aulas. O som de todas as aulas seriam gravados e disponibilizado na internet ou através de Cds para os alunos, que poderiam ouvir várias vezes a aula em casa;
Gravação de 1 ano escolar inteiro de uma sala de aula modelo(áudio e vídeo) e distribuição para os alunos através de DVD, além da disponibilização na internet. O custo industrial de 1 DVD é de menos de 50 centavos de real e a gravação de 1 ano letivo para um aluno custaria menos de 100 reais por ano. O DVD tem um grande potencial de multiplicação educacional porque está massificado nas classes mais humildes.
Toda essa tecnologia é bem mais barata do que parece. Com o investimento fixo de 10 mil reais por sala de aula, pode-se equipá-la com praticamente todos recursos citados acima, ou seja, um custo de 100 reais por aluno( 2 turmas de 50 alunos numa sala, manhã e tarde). A tecnologia agrega produtividade ao processo educacional.

1.1.4 Ensino de leitura, escrita e números

A base de qualquer processo educacional são a leitura e a escrita. Se o aluno não sabe ler e escrever bem, ele não está apto a aprender nada. O governo precisa investir pesado nesse ponto e fazer avaliações rigorosas nas primeira séries do ensino fundamental. Uma forma prática de se fazer isso é passar de 4 para 5 horas a carga horária das escolas do ensino fundamental, sendo a última aula de Redação. O aluno faria todo dia 1 redação em sala de aula totalizando 180 redações por ano. Tenho certeza que os alunos nas escolas públicas não fazem nem 20 redações por ano. A escola pagaria 1 ou mais professores exclusivamente para corrigir as redações dos alunos.
Complementando a alfabetização funcional dos alunos, para estarem aptos a assimilar processos produtivos no futuro e aprender ciências exatas, se faz necessário focar no ensino das 4 operações matemáticas e de conceitos matemáticos simples como gráficos ou funções com investimento e avaliação nessa área.
Outros pontos que devem ser comentados neste ítem 1.1 são a participação da iniciativa privada e a necessidade de mudança drástica na grade curricular do ensino médio. Sabe-se que para um país crescer economicamente precisa-se investir em capital humano, capital físico e tecnologia. Para que se tenha formação de capital humano de qualidade a educação deve ser prioridade absoluta e para isso ocorrer é importante zerar os impostos sobre as escolas de ensino fundamental e médio. Com a educação mais barata, os cidadãos vão deixar de investir em recursos supérfluos de consumo e investir parte maior da sua renda na educação dos filhos. Segundo o professor José Augusto de Mattos Lourenço, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), no setor privado de ensino de cada R$100 de mensalidade, R$40 vão para os governos em geral, na forma de impostos. Além disso sabe-se que a educação privada de qualidade tem um custo menor que a educação pública de qualidade.
A maior aberração do nosso sistema de ensino é a grade curricular do ensino médio. Ela é gigantesca, ultrapassada e fora da realidade, um desistímulo ao interesse dos alunos. Deve-se fazer um corte de no mínimo 50% do currículo. Matérias como trigonometria, química orgânica e matrizes devem ser estudadas com uma profundidade muito menor. O tempo que sobrar após o corte de 50% na grade, pode ser utilizado para ensinar ciências exatas de forma prática com os já citados recursos tecnológicos e para ensinar português focado em leitura e escrita. Outros assuntos importantes para abordar no ensino médio são Educação Financeira e Informática. Um cidadão consciente da importância de se poupar para atingir a prosperidade econômica nunca será pobre.
Agora vou dar um exemplo de como seria uma semana de aula no ensino médio(usando recursos tecnológicos):
Segunda-feira – 4 aulas de Português e 1 aula de Redação
Terça-feira – 4 aulas de Matemática e 1 aula de Redação
Quarta-feira – 2 aulas de Geografia, 2 aulas de História e 1 aula de Redação
Quinta-feira – 2 aulas de Língua Estrangeira, 2 aulas de Biologia e 1 aula de Educação Financeira
Sexta-feira – 2 aulas de Física, 2 aulas de Química e 1 aula de Informática
As 2 aulas de Física, Química e Biologia seriam sempre constituídas de 1 aula teórica seguida de 1 aula prática sobre o mesmo assunto abordado. No ensino de física por exemplo seria interessante o aluno conhecer como funciona na prática as modernas tecnologias como telefone, televisão, rádio e computador. Um bom modelo de física prática são os kits didáticos criados pelo professor de Física Moysés Nussenzveig.

2. Ensino Superior

A prioridade atual do governo para o ensino superior é a Universidade Pública cara, ineficiente e cursada pelos ricos. Apesar de o governo investir muito no ensino superior, o acesso ao ensino superior público ainda é muito restrito. A abertura do ensino superior para as instituições privadas feita pelo governo FHC contribuiu para aumentar o acesso dos brasileiros a universidade. No governo Lula um importante avanço foi o Prouni que atende 306 mil estudantes pobres com bolsas em instituições privadas. No entanto na proposta de Reforma do Ministro Haddad houve um retrocesso: a meta de dobrar as vagas nas universidades públicas. Se sabe que para custear um aluno na Universidade Pública se gasta 5 vezes mais do que investir num aluno através do Prouni.
A minha proposta é que se mantenha o número de vagas do Prouni no seu formato atual e que se crie um programa de concessão de bolsas de estudo em universidades privadas com 1 milhão de vagas por ano exclusivamente para pagar cursos curtos(2 anos) de nível superior para alunos provenientes de escolas públicas, com grade curricular mais prática e voltada para o mercado de trabalho. O sistema de financiamento poderia o mesmo do Prouni(Universidades privadas abrem vagas em troca de incentivos fiscais) e também o pagamento do governo da mensalidade integral para essas universidades. Com um investimento de 6 mil reais ao ano por aluno, no final de 2 anos se investiria 12 mil reais. Um profissional sairia de um curso superior por exemplo ganhando 1500 reais por mês e gerando 3 mil reais por mês de acrescimo no PIB do país. Seria um investimento com elevadíssima produtividade de capital e com forte inclusão social. Especialistas apontam que se o Brasil crescer a taxas superiores a 5% ao ano faltará mão-de-obra qualificada no Brasil. Setores como o petroquímico, o sucroalcooleiro, o de construção civil, o de mineração e o de tecnologia já apresentam essa falta de mão-de-obra. A concessão maciça de bolsas de estudos para cursos de curta duração ajudaria a resolver o problema.
O ensino acadêmico de longa duração ficaria concentrado nas vagas já existentes das Universidades Públicas e nas Universidades Privadas pagas pelos alunos da classe média e alta que sempre estudaram em escolas particulares.
Outra questão importante seria a desoneração fiscal total das Universidades Particulares pelo mesmo motivo citado no item 1 que é a priorização de se investir em Educação.

3. Alfabetização funcional de Adultos

Estudos do Instituto Paulo Montenegro apontam que 75% dos brasileiros adultos são analfabetos funcionais, ou seja, tem baixa capacidade de escrita, leitura e de fazer operações matemáticas básicas. Para mudar essa realidade seria necessário o Governo dar bolsas de estudo para adultos estudarem 1 ano em instituições privadas a um custo de 1500 reais por aluno. O curso seria de alfabetização funcional com aulas de Português focadas em leitura e escrita e aulas de Matemática focadas em conceitos matemático básicos como operações matemáticas, frações e gráficos. Uma massa de trabalhadores estaria apta a aprender conceitos produtivos modernos básicos, gerando ganhos de produtividade no trabalho. O investimento teria forte inclusão social e produtividade de capital.

Acredito que investindo certo em educação o nosso Brasil poderá dar o grande salto social e econômico que está precisando. A solução básica é o Estado atuar cada vez mais no planejamento e deixar a gestão dos recursos com a iniciativa privada e sua produtividade.

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